
Título: Mais perto do céu que da terra
Autor: Beatriz Gusmão
Sinopse: A novela retrata um cenário apocalíptico que ilustra os dilemas e inquietações que trazem das gerações mais novas. O texto pretende, sem o fazer explicitamente, abordar questões profundamente relacionadas com o quotidiano de uma geração que cresceu no seio de transformações sociais, econômicas e tecnológicas rápidas e intensas. O protagonista vive num mundo desprovido de esperança, onde os dias se arrastam numa rotina monótona e apática. Sonho e realidade misturam-se, criando uma atmosfera de confusão e resignação. Essa tensão entre a dificuldade de enfrentar a realidade e o desejo por algo melhor traduz a experiência de muitos jovens adultos. Criados sob a promessa de que poderiam conquistar qualquer coisa, enfrentam um mercado de trabalho precário, crises económicas, uma pandemia global e conflitos incessantes, tudo contribuindo para uma sensação coletiva de incerteza e desalento. Comparativamente, na presente narrativa, as memórias enganam, desfazendo a noção de tempo e espaço, os traumas passados, pouco nítidos, obscurecidos por uma memória entristecida, afetam o protagonista de forma incapacitante. Num mundo digital, onde fotos, vídeos e publicações revivem continuamente memórias antigas, cria-se a ilusão de que o passado está sempre presente. No entanto, essa constante revisitação muitas vezes leva a uma sensação de estagnação e saudade de momentos que não foram vividos plenamente — ou que talvez nunca tenham existido. A batalha desoladora descrita na novela, em que a natureza se torna um adversário implacável, faz eco dos desafios ambientais enfrentados atualmente. O impacto das mudanças climáticas, a insegurança em relação ao futuro económico e social molda vidas e escolhas. Simultaneamente, essas mesmas escolhas parecem não ecoar para o futuro, cingindo-se apenas ao espaço e ao tempo em que foram tomadas, tornando-se, as pessoas e as personagens, conscientes do seu próprio escasso peso. Ainda assim, esta geração é marcada pela sua capacidade em encontrar propósito na adversidade e força na incerteza, o que também podemos verificar na narrativa, ainda que tal não seja claro para o protagonista, o que também espelha o atual panorama de dúvida e a insegurança em que estas são mais comuns que o oposto. Esta busca por significado não é isenta de obstáculos, a incerteza e o medo do fracasso são companheiros constantes nesta jornada, porém, não obstante essa verdade de todos sentidos, a novela deixa claro que os verdadeiros companheiros de viagem são as pessoas que nos rodeiam, que conosco caminham. É por meio das conexões que formamos com aqueles que nos são mais próximos que logramos encontrar maior conforto. O protagonista debruça-se sobre relações passadas enquanto, no presente, se confronta com a aparente dificuldade na partilha e vulnerabilidade. É precisamente essa vulnerabilidade, superficialmente desconfortável, mas pessoal e necessária, que permite a partilha, a comunhão e o amor com e pelos demais, que torna a vida merecedora de ser vivida, não obstante os obstáculos. A novela, por vezes confusa devido a uma narrativa tão emocional, termina deixando um travo de nostalgia pelas nossas próprias relações passadas, presentes e futuras. É uma história para quem procura o seu caminho.
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Mais perto do céu que da terra”, de Beatriz Gusmão, publicado pela editora Urutau, em 2025 e com 82 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Urutau
Páginas: 82
Ano: 2025
Edição:
Linguagem: português
ISBN: 6559009521
ISBN13: 9786559009527
Sobre a editora
A experiência de leitura dos livros da editora Urutau revela um mergulho em textos densos, que transitam entre a poesia e a prosa, com forte presença de temas como a condição humana, relações afetivas complexas e a busca por sentidos em ambientes cotidianos ou simbólicos. O catálogo privilegia narrativas que exploram tensões internas, seja na intimidade da vida familiar, na investigação de mistérios urbanos ou na reflexão sobre identidades e memórias. A linguagem costuma ser elaborada, ora poética e simbólica, ora marcada por uma crueza direta, convidando o leitor a uma leitura atenta e contemplativa. Há obras que dialogam com o corpo, o desejo e a palavra, enquanto outras se apoiam em personagens femininas que desafiam estereótipos e enfrentam conflitos profundos.
