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Galo ìndio: Dramaturgia

Título: Galo ìndio: Dramaturgia

Autor: Rodolfo Amarim

Sinopse: “Por quê?”, pergunta o menino diante do túmulo do pai. Primeiro, tentando se adequar ao papel do jovem órfão de quem esperam que traga a marca da perda precoce. Depois, como quem, aos poucos, se deixa tomar pela vastidão da pergunta, o nonsense da lápide em concreto frio, o nome talhado parecido com o seu e, de fato, o espanto que emerge diante da morte, da tragédia e seus não-ditos. O que acontece quando uma pergunta vai se enraizando no peito a ponto de exigir o trabalho de uma vida? “Uma peça autobiográfica é aquela que é impossível não fazer” é um pequeno bordão que partilho com meu amigo Rodolfo já há mais de uma década, em que vimos trocando nesse terreno movediço das criações que se dão na indiscernibilidade entre arte e vida, no território dos traumas e fantasmas. Não à toa são anos às voltas com tentativas de registros diante do fugidio da memória, à caça de pistas para completar as lacunas, a obsessão pelas diferentes versões, os sonhos, aquilo que emerge nos outros em lembranças, sustos, escapes, mágoas, suspiros, insights (porque um morto nunca é só nosso), as ressonâncias em livros, filmes (às vezes parece que tudo sintoniza com nossa paisagem interna) e, finalmente, a criação. Ela que, através de inúmeros exercícios, no formato de textos, oficinas, cenas, manejo e produção de arquivos, ficcionalizações, se torna este espaço possível para dar forma ao indizível, contorno a um vazio. Diante dos silêncios e do tabu frente à morte, das lacunas em relação à própria história, da solidão e não-ditos impenetráveis do próprio pai, Rodolfo com pequenas unhas afiadas adentra essa paisagem escura e emerge dela como artista, filho, homem e pai, trazendo notícias de lá — da travessia? do trauma? do vazio? — para nós aqui, os ainda vivos. Porque o que é aterrador é que tenhamos tão poucas respostas para a morte. E o que é maravilhoso é que tenhamos tão poucas respostas para ela e, por isso, a morte segue sendo, talvez, uma das experiências que mais produz vida naqueles que ficam. E lá se vão anos de trabalho. Trabalho de luto, de sentido, de suportar a falta dele e criar com isso. Galo índio. Celebro o nascimento deste livro, assim como celebro a jornada do meu amigo Rodolfo e seu menino de unhas afiadas. Janaina Leite

Contexto da obra

Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Galo ìndio: Dramaturgia”, de Rodolfo Amarim, publicado pela editora Urutau, em 2025 e com 500 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.

Editora: Urutau

Páginas: 500

Ano: 2025

Edição:

Linguagem: português

ISBN: 6559008827

ISBN13: 9786559008827

    Sobre a editora

    A experiência de leitura dos livros da editora Urutau revela um mergulho em textos densos, que transitam entre a poesia e a prosa, com forte presença de temas como a condição humana, relações afetivas complexas e a busca por sentidos em ambientes cotidianos ou simbólicos. O catálogo privilegia narrativas que exploram tensões internas, seja na intimidade da vida familiar, na investigação de mistérios urbanos ou na reflexão sobre identidades e memórias. A linguagem costuma ser elaborada, ora poética e simbólica, ora marcada por uma crueza direta, convidando o leitor a uma leitura atenta e contemplativa. Há obras que dialogam com o corpo, o desejo e a palavra, enquanto outras se apoiam em personagens femininas que desafiam estereótipos e enfrentam conflitos profundos.

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