
Título: Homens do Café
Autor: Rogerio Naques Faleiros
Sinopse: Homens do Café: Franca, 1880-1920 resulta de pesquisa desenvolvida no Instituto de Economia da Unicamp por Rogério Naques Faleiros entre 2000 e 2002, período em que cursou o programa de Pós-Graduação em História Econômica em nível de mestrado. O aparecimento da versão publicada pela Holos, Editora (com o apoio da FAPESP) cumpre papel significativo de apresentação do texto ao público e o alargamento do debate que ele suscita no campo da História Econômica, uma vez que o objeto em estudo, a metodologia empregada e os critérios eleitos pelo autor revelam notável esforço de pesquisa e originalidade no que concerne ao tratamento de fontes cartoriais ainda escassamente exploradas pela historiografia do complexo cafeeiro. Ao valer-se dessas fontes, o autor lidou com escrituras de contratos de formação e trato de cafeeiros lavradas no município de Franca, que emergia como centro produtor de café no contexto do alargamento da fronteira do cultivo daquela planta. O presente trabalho revela detalhes e especificidades da cafeicultura da chamada “Alta-Mogiana”. Ao abordar as escolhas de atores envolvidos com a atividade econômica principal, ele evidencia arranjos entretecidos nos diversos níveis e circuitos pelos quais a acumulação de capitais se efetivava e nos quais os homens do café se caracterizaram enquanto protagonistas de uma determinada formação econômica, sócio-cultural e, no limite, política. O trabalho cobre um período em que a cafeicultura descreveu trajetórias de expansão, de crise e de retomada. Nesse período, ocorreu a transição do trabalho escravo para o trabalho livre, intensificando a importância do papel desempenhado pelo crédito no financiamento e na manutenção das unidades produtoras, de modo a garantir a sobrevida da atividade nuclear. A compreensão desse encadeamento é indispensável para o entendimento da modernização ocorrida na região e, para além dela, o estreitamento de sua ligação com o mercado interno e externo. Assim, o trabalho ilumina o conjunto da atividade cafeeira numa abordagem localizada, porém seus nexos causais assumem uma perspectiva muito mais ampla, ou seja, a perspectiva de um capitalismo específico, que cumpriu seu desiderato em uma dinâmica agrícola e exportadora que emoldurou e estabeleceu limites e possibilidades à urbanização, à industrialização e ao desenvolvimento experimentado pelo centro sul brasileiro. Na medida em que o trabalho permite ao leitor um aprofundamento no entendimento dos condicionantes obtidos pelo estudo da cafeicultura em Franca, ele descortina situações que atuaram como reforço e como variações no âmbito das relações de trabalho estabelecidas entre fazendeiros e trabalhadores rurais na produção e na distribuição da renda gerada. O estudo evidencia os mecanismos de extração de excedente que permitiam a continuidade da atividade em momentos distintos, ora como região nova, ora como região velha, transitando do colonato para a simples parceria, de acordo com a idade das lavouras. A sobrevida da cafeicultura esteve diretamente ligada às relações de trabalho aqui capturadas por meio da investigação e análise dos registros cartoriais. Não menos importante é o esforço do autor em delimitar o papel desempenhado pela agricultura de alimentos vis a vis a agricultura de exportação, descortinando entre elas seus respectivos instrumentos de exploração num encadeamento que representou a sobrevivência do trabalhador e, ao mesmo tempo, as formas de comercialização do excedente concentradas pelos proprietários contratantes em seus mais diferentes graus de apropriação. A agricultura de Franca se apresentava simultaneamente como produtora de cafés finos de exportação e como produtora de gêneros agrícolas para o mercado interno de alimentos. Cláusulas que regiam a forma de plantio e comercialização de milho, arroz e feijão estavam presentes nas escrituras lavradas em cartório e foram analisadas com acuidade pelo autor de modo a permitir o justo entendimento de um erro muito comum em algumas interpretações, de que os colonos seriam livres para comercializar tanto a parcela do café que lhes cabia, quanto os gêneros alimentícios por eles produzidos. O texto permite pensar que uma sociedade extremamente hierarquizada sustentava mecanismos de extração de excedente em função da posição e do papel desempenhado pelos contratantes no âmbito da produção e da comercialização e, ainda, definia as condições de acesso ao lucro e ao crédito, impondo obstáculos à mobilidade social. Acabamento: Brochura. Peso: 260g. Dimensões: 22.5 x 16.5 x 1.
Contexto da obra
Dentro do catálogo, este livro pode ser situado a partir do tema, da autoria e da proposta editorial. “Homens do Café”, de Rogerio Naques Faleiros, publicado pela editora Holos, em 2008 e com 160 páginas, integra a categoria Economia Geral. Esse enquadramento pode tornar mais clara a proposta do livro e o tipo de interesse que ele costuma despertar.
Editora: Holos
Páginas: 160
Ano: 2008
Edição: 1ª EDIÇÃO
Linguagem: Português
ISBN:
ISBN13: 9788586699634
Sobre a editora
Os livros da editora HOLOS trazem uma experiência de leitura marcada por abordagens científicas detalhadas, muitas vezes com foco em biologia, entomologia e ciências naturais. O catálogo sugere obras que equilibram rigor técnico e clareza didática, com textos que vão desde guias fotográficos ilustrados até análises teóricas sobre evolução e metodologias científicas. A linguagem tende a ser precisa e, em alguns casos, incorpora elementos matemáticos ou técnicos para fundamentar conceitos, enquanto outras obras privilegiam o aspecto prático e pedagógico, como o ensino investigativo em ciências. O tom varia entre o informativo e o explicativo, com ritmo que pode ser mais denso em textos acadêmicos e mais acessível em guias ilustrados.
