
Título: O Chimpanzé Cobaia
Autor: Carnevale Marcelo
Sinopse: Mas será Raduan? Quem é o autor, personagem do livro de Marcelo Carnevale? É André N. ou Benedito M.? O chimpanzé cobaia somos nós, leitores-amantes da literatura, ou é o escritor que nos deixa órfãos de autoria? Nesse pequeno grande livro, um jornalista-escritor busca seu escritor favorito para aprender a perdê-lo – objeto de desejo, ele escapa pelas páginas e pelos poros da pele até ser encontrado naquele banheiro de um bar paulistano... Afinal, de que vale a literatura diante deste gozo anônimo? Vale o cheiro da lavoura arcaica e o gosto agridoce de um copo de cólera. Sarcasmo, ironia e delicadeza mescladas, o estilo deste livro é lapidar e visceral – “Não há decisão que não envolva uma assembleia do corpo”. Como num jogo de detetive, o jornalista quer escrever sobre o famoso escritor, chegar a entendê-lo, a tocá-lo, quem sabe, e a desvendar a chave do enigma: “Por que abandonar a literatura?”. Esse é um adeus insuportável para quem está do outro lado do livro. Enquanto o jornalista quer saber o sabor do texto, o escritor quer falar das mudanças climáticas. Atualíssimo, o livro nos leva para o âmago da terra e suas texturas. “A página branca, como o campo, também opera mudanças; na sua ausência de música, oferece uma imagem plena de luz. Nela não é possível experimentar qualquer tipo de tranquilidade, é preciso parir estratégias, cavar, penetrar além da superfície ofuscante (que inibe a intuição); sem cerimônia, é preciso desmitificar a si mesmo, desmascarar-se antes de qualquer palavra escrita, romper com os acordos internos, com as conclusões, com os vícios do olhar, com a possível capacidade de reconhecer-se na ira. Evitar o teatro da autocomiseração, para eliminar qualquer nível de drama, inclusive o da demolição dos próprios pilares morais; provocar um rasgo no próprio nome.” Menos do que a saudade, o que se busca é a surpresa: o oxigênio da escrita e sua presença que capta o inesperado: “A vida é viva, é possível tocá-la num outro registro onde os protocolos não funcionam para intimidar, onde a gentileza avança rumo ao afeto escancarado”. Sutil, ágil e preciso, o livro é bordado tanto pelo prazer da trama quanto pela firmeza da mão, que abre brechas para registrar a dor da agulha furando a pele. Sem explicações, aqui é a personagem quem proclama: “Hoje, minha presença é minha literatura”. Emulação e homenagem, cópia e original, livro e dissertação, romance e teoria, escritor e modelo, personagem e escritor, dentre todas as figuras, a quaresmeira deixa seu sentimento estampado nessas páginas. Nesse breve e denso mergulho, a “água que torna a realidade espessa resgata em nós o tempo da literatura”. Você vai se surpreender. Marília Librandi Marcelo Carnevale nasceu em 1969 no Rio de Janeiro. Com pós-graduação em literatura brasileira e humanidades, dedica-se a ministrar aulas de escrita criativa e a colaborar com publicações jornalísticas.
Contexto da obra
Na ficção, o interesse por um livro costuma começar na história, mas não termina nela. “O Chimpanzé Cobaia”, de Carnevale Marcelo, publicado pela editora Laranja Original, em 2022 e com 124 páginas, integra a categoria Livros de Ficção. Por isso, o livro tende a ganhar mais presença quando o leitor observa também como a história é contada.
Editora: Laranja Original
Páginas: 124
Ano: 2022
Edição:
Linguagem: PORTUGUES
ISBN: 6586042585
ISBN13: 9786586042580
- Encadernação: BROCHURA
- Peso (kg): 0,187
- Altura (cm): 21,00
- Largura (cm): 14,00
- Espessura (cm): 2,00
Sobre a editora
Os livros da editora Laranja Original costumam apresentar uma escrita que valoriza a poesia e a prosa com forte carga sensorial e reflexiva, muitas vezes explorando a memória, a identidade e a experiência íntima. A narrativa circula entre o lírico e o ensaístico, com textos que transitam entre o clássico e o contemporâneo, como nas obras que mesclam autoficção, crônica, poesia e investigação histórica. O catálogo sugere um interesse por vozes femininas e temas ligados à sensibilidade afetiva, além de um diálogo constante com a arte visual e a cultura brasileira. A leitura tende a ser densa, mas acessível, com ritmo que ora convida à contemplação, ora à inquietação, revelando uma diversidade que vai do relato pessoal à análise social.
