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O Fio das Missangas

Título: O Fio das Missangas

Autor: Mia Couto

Sinopse: "A missanga, todos a veem. Ninguém nota o fio que, em colar vistoso, vai compondo as missangas. Também assim é a voz do poeta: um fio de silêncio costurando o tempo." "A vida é um colar. Eu dou o fio, as mulheres dão as missangas. São sempre tantas as missangas." É assim que o donjuanesco personagem do conto "O fio e as missangas" define a sua existência. Fazendo jus a essa delicada metáfora, cada uma das 29 histórias aqui agrupadas alia sua carga poética singular à forma abrangente do livro como um todo - vale dizer, ao colar em questão. Com um texto de intensidade ficcional e condensação formal raras na literatura contemporânea, Mia Couto demora-se em lirismos que a sua maestria de ourives da língua consegue extrair de uma escrita simples, calcada em grande parte na fala do homem da sua terra, Moçambique, um pouco à maneira de Guimarães Rosa, ídolo confesso do autor. A brevidade das pequenas tramas e sua aparente desimportância épica estão focadas na contemplação de situações, de personagens, ou simples estados de espírito plenos de significados implícitos, procedimento típico da poesia. Os neologismos do autor, a que os leitores já se habituaram, para além de mera experimentação formalista revelam-se chaves fundamentais de interpretação da leitura. Não por acaso, a maioria dos contos de O fio das missangas adentram com fina sensibilidade o universo feminino, dando voz e tessitura a almas condenadas à não-existência, ao esquecimento. Como objetos descartados, uma vez esgotado seu valor de uso, as mulheres são aqui equiparadas ora a uma saia velha, ora a um cesto de comida, ora, justamente, a um fio de missangas. "Agora, estou sentada olhando a saia rodada, a saia amarfanhosa, almarrotada. E parece que me sento sobre a minha própria vida", diz a narradora de uma dessas belíssimas "missangas" literárias.

Contexto da obra

Na ficção, o interesse por um livro costuma começar na história, mas não termina nela. “O Fio das Missangas”, de Mia Couto, publicado pela editora Companhia das Letras, em 2009 e com 152 páginas, integra a categoria Livros de Ficção. Por isso, o livro tende a ganhar mais presença quando o leitor observa também como a história é contada.

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 152

Ano: 2009

Edição:

Linguagem: PORTUGUES

ISBN: 8535913815

ISBN13: 9788535913811

  • Encadernação: BROCHURA
  • Peso (kg): 0,225
  • Altura (cm): 21,00
  • Largura (cm): 14,00
  • Espessura (cm): 1,00

Sobre o autor

A leitura dos livros de Mia Couto oferece uma experiência marcada por uma prosa poética que mistura o real e o fantástico, criando imagens vívidas e sensoriais do cotidiano moçambicano. Sua escrita é ao mesmo tempo lírica e carregada de tradição oral, com ritmo que ora se mostra contemplativo, ora urgente, refletindo as tensões de uma sociedade em transição. O foco emocional recai sobre personagens que enfrentam conflitos profundos, desde as marcas da guerra até as complexidades das relações familiares, sempre permeadas por uma delicadeza que contrasta com a dureza das circunstâncias. A narrativa frequentemente se desdobra em múltiplas vozes, alternando perspectivas que enriquecem o entendimento dos temas históricos e culturais. Esse equilíbrio entre a fantasia e a crítica social convida o leitor a refletir sobre a identidade, a memória e a transformação, em um universo onde o poder das palavras se entrelaça com a natureza e a tradição.

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Sobre a editora

Os livros da editora Companhia Das Letras oferecem uma experiência de leitura que varia entre o íntimo e o social, com narrativas que exploram conflitos familiares, questões históricas e políticas, além de temas contemporâneos como violência e memória. O catálogo privilegia obras que mesclam profundidade psicológica e crítica social, apresentando personagens complexos e ambientes que vão do Brasil urbano à paisagem natural, passando por contextos históricos e culturais diversos. Há um equilíbrio entre textos mais narrativos, como romances e contos, e obras informativas ou ensaísticas que dialogam com a história, política e ciências sociais. O tom pode ser tanto reflexivo e melancólico quanto ágil e envolvente, com ritmo que ora convida à contemplação, ora mantém a tensão do suspense.

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