
Título: Os Homens Esquecidos de Deus
Autor: Albert Cossery
Sinopse: Histórias marginais onde pululam filhos de cães e filhos de porcos. Temos a rua da Mulher Grávida, o engomador e Zouba, o carteiro malandro que teima em roubar o sono e a preguiça aos desgraçados. Há bolinhas de haxixe e estômagos com as paredes coladas. Os pedaços de metal são desumanos: ninguém merece estar privado de droga num mundo miserável. O pensamento reduz-se à nulidade: as perguntas têm respostas mas as respostas não interessam a ninguém e assim é que está bem. Mães berram com os filhos na rua da Mulher Grávida para que todas as pessoas de má fé fiquem a saber que elas educam os filhos. Lixo espalhado por todo o lado, miúdos a saltar nas poças de urina. A fome desencadeia a revolta dos varredores que decidem fazer greve e o barbeiro inspirado pelo motim decide matar a mulher. «Os esfomeados só sonham com pão». Um pai tem um filho para o ajudar a partilhar a miséria: dois pares de ombros equilibram-na melhor. Certeza há só uma: Deus esquece os pobres e quando os esquece é para sempre. Saciar a fome é o único desejo a que se permitem. A cidade sofre por albergá-los e a civilização sofre por vê-los. Chamam-lhes ladrões se a sua persistência em viver é excessiva e mendigos se abandonarem os corpos putrefactos e nauseabundos aos cubículos da cidade. Os vizinhos não têm inveja da miséria dos outros, o importante é manter um nível médio de desgraça. Mas desenganem-se aqueles que acham que na mendicidade não existem princípios! Repelência, mutilações corporais, doenças contagiosas e incuráveis são algumas das qualidades essenciais para se ter sucesso na arte de pedinchar. Na escola de mendigos ensinam as crianças a agarrarem-se aos clientes até à morte, com dureza e tenacidade. «O futuro está nas latrinas públicas». Resenha: Rascunho.net
Contexto da obra
Quando a classificação é mais ampla, o contexto do livro costuma depender ainda mais de autoria, tema e edição. “Os Homens Esquecidos de Deus”, de Albert Cossery, publicado pela editora Antígona, em 2002 e com 151 páginas, integra a categoria Livros Variados. Por isso, autoria, edição e tema acabam tendo ainda mais peso na forma de apresentar o livro.
Editora: Antígona
Páginas: 151
Ano: 2002
Edição:
Linguagem: português
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Sobre a editora
A leitura dos livros da editora Antígona revela um interesse persistente por temas que questionam estruturas sociais, políticas e culturais, frequentemente com um tom crítico e reflexivo. O catálogo privilegia obras que exploram a tensão entre indivíduo e sistema, seja por meio de análises filosóficas profundas, narrativas históricas ou ficções distópicas. A linguagem é, em geral, densa e cuidadosa, mas acessível, convidando o leitor a uma imersão que combina rigor intelectual com uma certa urgência existencial. Há uma presença marcante de textos que abordam crises sociais, identidades complexas e dilemas morais, com um ritmo que varia entre o contemplativo e o intenso, dependendo do enfoque narrativo. Essa diversidade se manifesta tanto em obras mais ensaísticas quanto em romances ou relatos biográficos, oferecendo contrastes entre o mais narrativo e o mais informativo.
