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Poiética

Título: Poiética

Autor: Paul Valéry

Sinopse: Conta-se que Paul Valéry acordava diariamente às 5 horas da manhã e se colocava a escrever, em pé. Durante mais de 50 anos (entre 1894 a 1945), o poeta madrugador preencheu 27 mil páginas de cerca de 260 cadernos, registrando reflexões sobre temas os mais variados, até mesmo das ciências ditas “duras”, entrecruzando formulações lapidares com anotações laterais, desenhos, gráficos, indicações textuais diversas. O volume e a complexidade desse material explicam a bem conhecida dificuldade de edição dos Cadernos, que apenas na década de 1970 ganhou uma versão não especializada (em certo sentido, simplificada), na prestigiada coleção Pléiade, da Gallimard. O lembrete é importante pois ajuda a perceber quão precioso é o presente trabalho de “tradução” da seção temática “Poiética” dos cadernos de Paul Valéry. Retomando o texto base da Pléiade, Roberto Zular e Fábio Roberto Lucas “corrigem” exclusões e decisões editoriais pouco sustentáveis, valorizando justamente as virtualidades de sentido dos Cadernos. Ao invés de “limpar” as supostas impurezas, optaram, ao contrário, por um procedimento “genético” que busca respeitar as relações de sentido inscritas em cada página, com o auxílio de diferentes edições e do fac-símile dos originais. Resulta disso uma “edição aumentada”, que nada mais é do que um trabalho inédito de edição de parte dos cadernos de Valéry, com “afinamento” filológico talvez mais convincente aos ouvidos atuais. É ao leitor de hoje, mais familiarizado com a ideia de inacabamento, mais sensível ao aspecto visual do texto, mais aberto à “hesitação” do pensamento, que se dirige a edição brasileira da Poiética de Valéry. Ao evidenciar outra leitura (não exatamente romântica) da estética do fragmento, os organizadores também nos mostram que há muito a ser redescoberto nesse autor cuja fama de “formalista” promoveu, mas também limitou, ao longo do tempo, o interesse por sua extensa e variada produção. O excelente posfácio que fecha o trabalho reúne elementos dessa historicidade, abordando não apenas o pensador da complexa reversibilidade entre forma e fundo, mas igualmente o intelectual atento a dilemas institucionais que abalaram a Europa no período que compreende as duas guerras mundiais. Marcos Siscar Paul Valéry (1871-1945) foi um dos mais importantes escritores franceses do século XX. Poeta amplamente reconhecido, fez da poesia um microcosmo que lhe permitiu entrecruzar os mais diversos campos do saber (poética, linguística, psicologia, política, física, biologia) e os mais variados meios de escrita (poemas, ensaios, traduções, peças, diálogos). Sua obra secreta, os cadernos, são o testemunho das dores e alegrias de uma vida que recusou a banalidade e a violência do mundo, partindo em busca de outras formas de pensamento e de outros modos de existência.

Contexto da obra

Na poesia, um livro como este costuma pedir um olhar mais atento para linguagem, ritmo e imagem. “Poiética”, de Paul Valéry, publicado pela editora iluminuras, em 2022 e com 232 páginas, integra a categoria Livros de Poesia. Na prática, a força do livro muitas vezes aparece no modo como ele faz a linguagem trabalhar.

Editora: iluminuras

Páginas: 232

Ano: 2022

Edição:

Linguagem: português

ISBN: 6555191694

ISBN13: 9786555191691

    Sobre o autor

    A leitura dos livros de Paul Valery conduz o leitor a um universo onde a poesia e o pensamento se entrelaçam em delicadas tramas de reflexão e sensibilidade. A prosa e os versos se alternam entre um ritmo contemplativo e uma tensão intelectual sutil, que desafia a percepção do tempo e da criação. O leitor é convidado a acompanhar um diálogo íntimo com a linguagem, onde a precisão e a musicalidade das palavras se equilibram com uma busca constante pela perfeição estética. Em alguns momentos, a experiência é marcada por uma imersão silenciosa, quase meditativa, que revela a complexidade do espírito criador. Em outros, surge uma agudeza analítica que atravessa temas como a arte, a ciência e a filosofia, sempre com um olhar atento ao detalhe e à forma. Assim, os livros de Paul Valery oferecem um percurso que oscila entre o lírico e o rigoroso, o abstrato e o concreto, instigando o leitor a refletir sobre os processos da mente e da criação.

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    Sobre a editora

    Os livros da editora Iluminuras convidam o leitor a uma experiência de leitura que mescla rigor intelectual e sensibilidade estética. O catálogo revela uma predileção por obras que exploram a densidade da linguagem, seja por meio de poesia, ensaios filosóficos ou narrativas literárias que problematizam dilemas éticos e existenciais. A diversidade temática é marcada por textos que transitam entre a reflexão crítica e a expressão artística, com destaque para abordagens que valorizam a complexidade do olhar sobre a arte, a literatura e a condição humana. Em muitos títulos, percebe-se um tom contemplativo, ora introspectivo, ora incisivo, que desafia o leitor a pensar além da superfície dos temas tratados. A editora parece privilegiar obras que dialogam com tradições literárias e filosóficas, mas que também apresentam rupturas e experimentações formais, como o uso do fragmento, do monólogo ou da linguagem poética com forte carga imagética.

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