
Título: quatro destinos menos um
Autor: Ronaldo Brito
Sinopse: Os três contos mordazes e surpreendentes que compõem este volume bem poderiam ser capítulos de um “romance autobiográfico”. Narram uma vida insignificante na qual nem mesmo os sonhos são audaciosos, mas apenas mesquinhos, “convencionais e surrealistas. Nenhum Mondrian, nem um único Malevitch”, como afirma o narrador. Não surpreende, portanto, que o leitor se depare sobretudo com “fatos voláteis, inconsequentes”, vazados em um estilo pernóstico e rebuscado que parece querer disfarçar a banalidade de sua “rala biografia”, que não é “nenhuma Recherche esnobe, recheada de madeleines alucinógenas. Até onde consiga enxergar, não perdi tempo algum, como iria eu procurá-lo? Onde? Quando?”. Aí reside a comicidade do livro, que tem uma ironia ácida à moda de Machado de Assis e de Eça de Queiroz. O que de fato o narrador parece apreciar são “os dias iguais, repetitivos, sobejamente vazios, a conversa fiada infinita, as desavenças e ódios súbitos, os pequenos êxtases e desvarios que caracterizam a rotina. Em resumo, a gloriosa pertença à História Universal da Esquina, que dispensa as idiotas placas comemorativas”. Ele sabe que “o leitor escrupuloso, exasperado, que chegou até aqui, terá notado minha estima pela discriminação compulsiva das horas e dos dias”. Talvez isso seja o resultado dos “rigores da aposentadoria” e do “trabalho insano de não fazer nada com método e afinco”. Porém, nada parece constranger o narrador, que segue relatando os acontecimentos de sua vida, mesmo sabendo que “uma vida não se conta, uma vida não conta. E vice-versa”. Decididamente, esse narrador blasé não é nenhum herói, como Ulisses, nome de um de seus gatos. Ainda assim ele se envolve em uma guerra contra o mundo que, com sua “presença exorbitante”, “invade nossa privacidade, nosso íntimo”. Fosse ele “um frívolo, um volúvel de saídas fáceis, a solução por si mesma se impunha: iria para a Bahia”; mas nosso Ulisses às avessas não sai do lugar. Ele está mais para Estragon e Vladimir de Beckett, do que para Leopold Bloom, de James Joyce. Ou melhor, é parente do homem sem qualidades de Robert Musil. Dirce Waltrick do Amarante Ronaldo Brito nasceu no Rio de Janeiro em 1949. É crítico de arte, curador de exposições de arte, poeta, contista e professor universitário. Publicou Quarta do singular (poesia); Neoconcretismo, Sérgio Camargo, Iberê Camargo, Oswaldo Goeldi, Amilcar de Castro, Experiência crítica, entre outros.
Contexto da obra
Na crítica literária, livros como este costumam ampliar a leitura de autores, obras e tradições. “quatro destinos menos um”, de Ronaldo Brito, publicado pela editora Iluminuras, em 2021 e com 114 páginas, integra a categoria Livros de Crítica Literária. Na prática, isso ajuda a situar o livro como apoio valioso para quem quer ler obras e autores com mais contexto.
Editora: Iluminuras
Páginas: 114
Ano: 2021
Edição:
Linguagem: PORTUGUES
ISBN: 655519099X
ISBN13: 9786555190991
- Encadernação: BROCHURA
- Peso (kg): 0,250
- Altura (cm): 20,50
- Largura (cm): 13,50
- Espessura (cm): 0,70
Sobre a editora
Os livros da editora Iluminuras convidam o leitor a uma experiência de leitura que mescla rigor intelectual e sensibilidade estética. O catálogo revela uma predileção por obras que exploram a densidade da linguagem, seja por meio de poesia, ensaios filosóficos ou narrativas literárias que problematizam dilemas éticos e existenciais. A diversidade temática é marcada por textos que transitam entre a reflexão crítica e a expressão artística, com destaque para abordagens que valorizam a complexidade do olhar sobre a arte, a literatura e a condição humana. Em muitos títulos, percebe-se um tom contemplativo, ora introspectivo, ora incisivo, que desafia o leitor a pensar além da superfície dos temas tratados. A editora parece privilegiar obras que dialogam com tradições literárias e filosóficas, mas que também apresentam rupturas e experimentações formais, como o uso do fragmento, do monólogo ou da linguagem poética com forte carga imagética.
