
Título: Teogonia: a origem dos deuses
Autor: Hesíodo
Sinopse: Parece-me que Hesíodo e Homero, quanto à idade, foram mais velhos do que eu em quatrocentos anos, e não mais. Eles são os que compuseram teogonia para os gregos, deram os nomes aos Deuses, distinguiram-lhes honras e artes, e indicaram suas figuras. Heródoto II, 53. Hesíodo, junto a Homero, é o mais antigo poeta grego cujas obras chegaram a nós. Este livro se compõe da tradução integral da Teogonia de Hesíodo, e do ensaio em que este poema é estudado como um documento do pensamento religioso grego, sob quatro aspectos interligados, a saber: I - A noção mítica da linguagem como manifestação divina. As Deusas Musas, filhas de Zeus e de Mnemosyne ("Memória"), manifestam-se no canto e na dança e em forma de canto e de dança. Elas constituem o fundamento transcendente dos cantos e, ao mesmo tempo, a garantia divina da verdade que nesses cantos se revela. II - A noção mítica da verdade como "revelações" (alethéa). A epifania das Musas a Hesíodo coloca em termos míticos o problema lógico e ontológico da verdade. Entre "muitas mentiras símeis aos fatos", as Musas, quando querem, sabem dizer a verdade, ou melhor: "revelações" (alethéa). Quem poderia distinguir entre tais "mentiras" e "revelações"? – Para a piedade hesiódica, a Verdade é um dom dos Deuses, e assim depende da vontade deles se ela se apresenta ou não aos homens –, mas, apresentando-se, ela traz consigo o sinal inequívoco de sua autenticidade: o esplendor divino. Quem poderia jamais deixar de percebê-lo, se assim querem as Deusas? III - A noção mítica do tempo como temporalidade da Presença divina. Os gregos hesiódicos vivem na proximidade dos Deuses, num tempo cujos dias não se deixam medir por quaisquer números, pois cada dia então se mostra com as características e qualidades mesmas do Deus que nesse dia se manifesta e se comemora. IV- A noção mítica do mundo como um conjunto único, uno e múltiplo de teofanias. O mundo, para os gregos hesiódicos, é um conjunto único de inesgotáveis aparições divinas (teofanias); no entanto, é um mundo lógico, em termos míticos e na lógica própria do pensamento mítico – um mundo real e perigoso, que se deixa conhecer através das genealogias divinas, das linhagens e famílias de Deuses ciosos de suas prerrogativas e vigilantes de que elas sejam observadas. A presente tradução, em versos livres, busca reproduzir não só a riqueza poética, mas ainda as noções e o movimento próprios do pensamento grego arcaico. Jaa Torrano é professor de Língua e Literatura Grega na Universidade de São Paulo, e autor de outro grande estudo do pensamento mítico grego: O sentido de Zeus: o mito do mundo e o modo mítico de ser no mundo (Iluminuras, 1996).
Contexto da obra
Na área de Religião, livros como este costumam ser lidos em diálogo com tradição, formação e reflexão. “Teogonia: a origem dos deuses”, de Hesíodo, publicado pela editora Iluminuras, em 2000 e com 168 páginas, integra a categoria Livros de Religião. Esse contexto costuma tornar mais claro o lugar do livro dentro de leituras religiosas mais amplas.
Editora: Iluminuras
Páginas: 168
Ano: 2000
Edição: Filosofia
Linguagem: PORTUGUES
ISBN: 8585219319
ISBN13: 9788585219314
- Encadernação: BROCHURA
- Peso (kg): 0,200
- Altura (cm): 21,00
- Largura (cm): 14,00
- Espessura (cm): 0,90
Sobre a editora
Os livros da editora Iluminuras convidam o leitor a uma experiência de leitura que mescla rigor intelectual e sensibilidade estética. O catálogo revela uma predileção por obras que exploram a densidade da linguagem, seja por meio de poesia, ensaios filosóficos ou narrativas literárias que problematizam dilemas éticos e existenciais. A diversidade temática é marcada por textos que transitam entre a reflexão crítica e a expressão artística, com destaque para abordagens que valorizam a complexidade do olhar sobre a arte, a literatura e a condição humana. Em muitos títulos, percebe-se um tom contemplativo, ora introspectivo, ora incisivo, que desafia o leitor a pensar além da superfície dos temas tratados. A editora parece privilegiar obras que dialogam com tradições literárias e filosóficas, mas que também apresentam rupturas e experimentações formais, como o uso do fragmento, do monólogo ou da linguagem poética com forte carga imagética.
